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Investigada na Lava Jato, Suzano compra Fibria com dinheiro público

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Redação/Opovonews

 

Existe uma luta entre o Brasil novo e o Brasil velho. Enquanto a sociedade grita por competição, o governo federal quer nos empurrar monopólios goela abaixo. Com dinheiro público do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é capitalizado pelo Tesouro Nacional e, portanto, por todos os contribuintes, o governo federal tem incentivado a formação de grandes oligopólios. Na prática, está enfiando a mão no bolso de muitos em benefício de poucos. E assim nascem os “campeões nacionais” em vários setores da economia: dos frigoríficos à telefonia, passando por setores como papel e celulose e alimentos.

Na compra da Fibria pela Suzano, anunciada em março, não foi diferente, com o BNDES tendo um papel preponderante nas negociações. A fusão entre as duas companhias foi aprovada pelo BNDES e coordenada pelo BNDESPAR, banco de fomento que detém participação tanto na Suzano, quanto na Fibria. A participação da BNDESPAR na Fibria teve início em 2009, com aporte de capital para a criação da empresa resultante da combinação entre Votorantim Celulose e Papel e Aracruz Celulose.

A fusão entre Suzano e Fibria, criando uma gigante do setor – líder mundial em celulose, quinta maior companhia em valor de mercado e maior empresa do agronegócio brasileiro – é um escândalo. O objetivo dessa nova megaempresa é criar condições negociais, logísticas e sobretudo bancário-financeiras para ganhar mercados globais e aumentar o faturamento de maneira exponencial. Esse cenário de monopólio deve ser visto com preocupação, pois se considerarmos uma área de milhares de hectares no comando de uma só indústria, isso pode influenciar futuramente no valor de produção regional.

O governo, ao invés de atacar a formação desses monopólios prejudiciais ao interesse público, estimula-os com recursos estatais do BNDES. Em todas essas transações privadas está sempre presente a mão amiga do Estado.

 

Cade

A compra da Fibria pela Suzano é vista como “complexa” por integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão tem prazo de 240 dias para aprovar o negócio, prorrogáveis por mais 90 dias.

Para chegar a uma decisão, o Cade deve definir o que chama de mercado relevante, e com base nele definir se as empresas apresentam ou não um problema para a concorrência. Com essas definições em mente, Fibria e Suzano devem encontrar dificuldades no Cade por conta da venda de fibra curta no país. Segundo analistas, juntas as empresas são responsáveis por mais de 60% da fibra curta consumida no país. Outro ponto que o Cade vai analisar é a chamada integração vertical, com os diferentes momentos em que Fibria e Suzano participam da cadeia produtiva. A análise garante que as companhias não dominem partes essenciais do mercado e acabem com concorrentes.

Mas o maior problema de Fibria e Suzano pode estar no exterior, já que entre 70% e 90% da produção das empresas é para exportação. Juntas, elas são responsáveis por 49% do mercado mundial de celulose de eucalipto. “Já temos notícias de que alguns produtores da Europa estão preocupados com essa operação por conta da dependência que terão dessa nova companhia”, diz Vitor mizumoto, analista da casa de análises Eleven Financial.

A operação precisará passar pela aprovação dos órgãos antitruste na China, União Europeia e Estados Unidos. China e União Europeia são considerados os mercados mais delicados porque são os maiores de Fibria e Suzano.

O presidente do BNDES, sócio da Fibria e que conduziu as negociações, Paulo Rabello de Castro, disse que não teria entrado no negócio se achasse que há risco de ele não ser aprovado. No ano passado, empresários que tiveram suas operações negadas pelo Cade também mostravam confiança semelhante. O histórico recente mostra que Rabello deveria estar mais preocupado. Recentemente, o Cade barrou a compra da Liquigás, detida pela Petrobras, pela Ultragaz. Em 2017, o órgão também vetou a compra da rede de postos Ale pela Ipiranga, a do grupo de educação Estácio pela Kroton e a aquisição da Mataboi pelo grupo JBJ.

 

Categoria preocupada

O Sindicato dos Trabalhadores na Silvicultura, no Plantio, nos Tratos Culturais, Extração e Beneficiamento da madeira em Atividades Florestais e Indústrias Moveleiras no extremo Sul da Bahia (Sintrexbem) está preocupado com as condições de trabalho após a fusão da Suzano com a Fibria.

De acordo com o portal Extremus21, os trabalhadores já se mostram insatisfeitos com a “perversa” política de metas de produção da Suzano, e o quadro não parece melhorar com a união. Atualmente, a dívida líquida combinada das duas empresas soma R$ 21 bilhões. Com as captações e empréstimos previstos para concluir a combinação dos negócios, a dívida deverá subir para R$ 50 bilhões. Segundo o presidente da Sintrexbem, Silvânio Alves, a empresa já nasce com uma “dívida monstruosa”, o que “certamente sobrará para o trabalhador pagar”.

O sindicato alega que a Suzano tem como hábito o “pouco diálogo com a comunidade” e que “existe o questionamento” sobre a opção por “mão de obra barata”, ou contratação de profissionais fora da sua área, para pagar uma remuneração menor.

Outra questão colocada pela classe é a diminuição das possibilidade de trabalho, já que o trabalhador técnico na área ficará sem opção e, “caso seja desligado, terá que se mudar para uma outra região para conseguir emprego em uma outra empresa”. No entendimento dos profissionais, a união criará um “poder totalitário” no seguimento da celulose, com a formação da quinta maior companhia do país, “que consequentemente será a dona de alguns municípios da nossa região”.

Um argumento do sindicato, que encontra respaldo em outros entes ligados à empresa, é que a Suzano tem uma postura de pouco diálogo com a comunidade, deixando como saldo social apenas suas obrigações fiscais e os empregos gerados. Ainda assim, existe o questionamento acerca de uma preferência da empresa por mão de obra barata e/ou, contratação de pessoal de fora para postos e cargos melhor remunerados.

Essa postura, ainda de acordo com os trabalhadores, “gera um enorme déficit de emprego na região”. “Falamos com conhecimento de causa, pois já vivenciamos situação parecida quando a Votorantim, em 2009, comprou a Aracruz e criou a Fibria Celulose. A Fibria nasceu da compra da Aracruz pela Votorantim em 2009, com ajuda do BNDES, em negócio que evitou quebra da empresa.

 

Lava Jato

Empresas da família Feffer, proprietária da Suzano, foram mencionadas em uma lista de 107 offshores (empresas montadas no exterior) ligadas a corporações e políticos citados na Operação Lava Jato. Os nomes das empresas foram divulgados a partir de documentos vazados do escritório de advocacia e consultoria Mossack Fonseca, do Panamá.

Segundo a investigação da Polícia Federal, a Mossack operou para pelo menos seis grandes empresas brasileiras e famílias citadas na Lava Jato – e abriu 16 empresas offshore.

Integrantes da família Feffer não respondem a acusações na Lava Jato, mas a força-tarefa da corporação investigou a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras, em 2007.

Em sessão da CPI da Petrobras, o executivo do grupo Suzano, David Feffer, confirmou ter negociado diretamente com o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli a venda da Suzano Petroquímica.

De acordo com os parlamentares, Feffer disse que jamais conversou sobre a transação com o ex-diretor de Abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa, apenas com Gabrielli, então presidente da estatal.

O executivo foi à CPI para tentar esclarecer as suspeitas levantadas sobre a negociação, a partir de um depoimento de Paulo Roberto Costa a investigadores da Operação Lava Jato.

A Petrobras adquiriu o braço petroquímico da Suzano em 2007, por R$ 2,7 bilhões.

O ex-diretor disse que o valor desembolsado na compra da empresa pela Petrobras ficou “em um patamar bem superior ao mínimo fixado no ‘range’, face a uma decisão unilateral do então presidente Sérgio Gabrielli”.

Embora tenha confirmado a participação de Gabrielli nas negociações, David Feffer negou irregularidades na transação.

Segundo parlamentares, ele exemplificou outros casos em que uma companhia é adquirida com preços teoricamente altos, mas que não deixam de ser um bom negócio para o comprador.

Além de David, o irmão dele, Daniel Feffer, também prestou depoimento nesta terça.

José Sérgio Gabrielli sustenta que não houve qualquer ilegalidade no negócio firmado com o grupo Suzano.

 

Compra

Com o aval do conselho de administração da estatal, então presidido por Dilma Rousseff, que era ministra chefe da Casa Civil de Lula, a Petrobras comprou, em 2007, a Suzano Petroquímica. Avaliada na bolsa de valores de São Paulo em R$ 1,2 bilhão, ela foi comprada pela Petrobras por R$ 2,7 bilhões.

Deste total, R$ 2,1 bilhões foram para a família Feffer, capitaneada por Daniel. Os demais R$ 600 milhões foram para acionistas minoritários.

Além disso, a estatal assumiu uma dívida da Suzano de R$ 1,4 bilhão. O custo total foi de R$ 4,5 bilhões. Mais de R$ 2,8 bilhões de diferença entre o preço de mercado e o que a Petrobras desembolsou.

A estatal pagou por uma petroquímica três vezes mais do que a empresa valia no mercado. Uma corretora de valores do Uruguai foi investigada por suspeita de ter lucrado com informações privilegiadas envolvendo o negócio.

Por trás de mais este negócio bilionário da Petrobras estava o ex-diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, um dos presos pela Polícia Federal na Operação Lava a Jato. Costa ocupou um cargo estratégico na Petrobras durante a administração de José Sérgio Gabrielli.

Na mesma época, outra movimentação no mercado acionário levantou suspeitas: a corretora uruguaia Vailly Sa, que nunca tinha negociado ações da Suzano, comprou papéis da companhia antes do fechamento do negócio bilionário. A corretora, ligada ao grupo Safra, foi investigada pelo Ministério Público e a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, e para não ser processada, fez um acordo e pagou multa. Mas, até hoje, ninguém explicou como a Vailly teve acesso às informações privilegiadas do negócio.

Pouco tempo depois de ser comprada pela Petrobras, a Suzano Petroquímica foi incorporada pela Braskem, que hoje detém a maioria do mercado petroquímico do Brasil.

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